revupoeta Blog que tem o objetivo de divulgar cronicas, poemas, opiniões acerca de temas políticos, culturais e outros. A idéia é veicular na rede pensamentos do Janjão e de seus Amigos. A intenção primeira é se divertir. A segunda, fazer um laboratório, para uma página mais séria no futuro, melhor elaborada. A pagina é dedica as duas mulheres do cara (Ele é Bigamo). Nadir a Negra mais linda do mundo e Ruani a mais nova adolescente. In memória a Senhora Bondade, Maria Rita.



Sunday, December 28, 2003 :::
 
RECEITA DE ANO NOVO
[CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE]

"Para você ganhar belíssimo Ano Novo
Cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? Passa telegrama?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
Para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependimento
Pelas besteiras consumadas
Nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
Que mereça este nome,
Você, meu caro, tem de merecê-lo,
Tem que fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente,
experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
Cochila e espera desde sempre."


::: posted by joao geraldo at 6:38 AM


 
CONTOS DE NATAL - FURAR PETRÓLEO" - JANJÃO
Era véspera de natal. Natalino, Paulo, Luís, Luciano e Eu, dividíamos a mesma cela nas dependências da OBAN (Operação Bandeirantes), órgão de repressão, comandado pelas Forças Armadas.

Ainda estávamos, apesar de fracos e repletos de hematomas, eufóricos, com a libertação de 15 companheiros, condição aceita pela ditadura, com o intuito de resgatar o Embaixador Americano, seqüestrado por organizações de esquerda.

Não tínhamos noção de que horas eram. O dia da semana, horário e a data, um dos carcereiros, um dos poucos generosos, nos informava toda a manhã ao trazer o café ou quando um de nós saia das sessões de tortura, que as vezes levavam dias.

A alegria era imensa pelo sucesso da operação "Revolucionária", pois nossos principais quadros estavam na lista dos libertados.

Os militares naquele dia, parece que estavam de luto ou de férias ou se preparando para a ceia de Natal. Enfim, teríamos um Natal, sem pancadarias.

Exceto alguns carcereiros, os demais Josés, (Eles se chamavam assim), não eram vistos ou encontrados. Estávamos próximos das 5 da tarde, quando um dos Josés, um cara alto, magro e com diversas cicatrizes no rosto, apareceu e com um sorriso maroto nos lábios, chamou-me e me disse:

- Antônio, vulgo lampião, viadão de Diadema, venha até aqui. Levantei do chão e fui até as grades da cela. Ele prosseguiu:

- Reuna seus comparsas. Hoje vocês todos vão exercitar os músculos. Chega de moleza. Vocês estão pensando o que, que isto aqui é casa de veraneio? - disse e foi abrindo a cela.

Estávamos muito cansados e ainda com muitas dores, fruto das sessões de tortura dos últimos dias. Caminhamos pelo corredor da prisão em zigue zague, em virtude das condições físicas. Nem reparamos que junto a nós, estavam uns dez Josés. No final do corredor, subimos alguns degraus, que nos levaram a um pátio enorme, sem cobertura. Lá estava nos esperando o Josè comandante. Um loiro de uns 50 anos. Ao chegar nos colocaram em fila indiana. O loiro falou:

- Suas bichas. Parece que todos vocês estão felizes, pela soltura dos 15 terroristas. (Silêncio). Ele continuou: - Não pensem que isto nos abalou. Pelo contrario, perdemos uma batalha, mas venceremos esta guerra. No entanto, somos generosos e os trouxemos aqui para expressar esta generosidade. Hoje é véspera do nascimento do filho de DEUS. Sei que vocês Comunistas, não acreditam em DEUS. Todos Ateus e vagabundos. Mas como fiéis e tementes ao todo poderoso, resolvemos, dar a vocês a oportunidade de descobrir petróleo neste chão. Sim, aqui há muito. Se conseguirem encontrar, estarão livres.

É claro que não acreditamos nesta bobagem. Era a vingança. O José alto e magro, explicou como seria, aos berros é claro: "Todos em pé, sem flexibilizar os joelhos, vergar-se para frente, tocar com a ponta do indicador da mão direita o chão e sem tira-lo daquela posição, girar em torno do dedo e no ritmo imposto pelo Josè Comandante".

Ocorre que estávamos fragilizados e sequer conseguíamos dar uma volta, logo caindo ao chão. Ao cair os Josés, nos davam o castigo por não achar petróleo. Pontapés, pauladas e o uso do cassetete.

Esta "brincadeira", durou até a meia noite, quando os Josés, abriram garrafas de Champanhe e comemoraram o nascimento de Cristo.

Nós fomos 15 minutos depois, atirados em nossa cela, humilhados e ensangüentados. Mesmo assim, apesar de muitos não acreditar juntamos força e saudamos do nosso jeito a vinda do Salvador.





::: posted by joao geraldo at 6:37 AM


 
HISTÓRIAS DA DITADURA
JANJÃO


CONTOS DE NATAL- O PRESENTE

- Eduardo? Este é seu verdadeiro nome?
- Sim? Arara vermelha é um codinome que a organização me deu
- Mas porque arara?
- Sou de uma cidade que tem este nome. A cor eu não sei, porque, talvez pelo fato de ser ruivo. E você, qual a sua graça, he,he,. Afinal você é uma graça.
- Luzia. Mesmo nome de minha avó. Sabe não sou bonita, como dizes.
- Como não? Desde que cheguei a organização e me apresentaram a você, notei sua beleza.
- Obrigada
- Tens namorado, lua branca?
- Hum, não posso chamar aquele relacionamento de namoro. Foram só flertes e alguns beijos. E você tem?
- Não, apenas algumas paqueras
- Sabe que dia é amanhã?
- Não
- È natal, dia de festas com a família e de trocar presentes.
- É minha família agora, são os companheiros de luta. Não vejo a minha há uns 6meses.
- A minha, a última vez foi no aniversário de minha avó. Há duas semanas e rapidinho. Eles não me viram. Olhei pela janela da sala. Era perigoso que me vissem.
- Você tem saudades deles? Gostaria de passar o natal em sua casa e ganhar presentes?
- Sim. Mas não vai dar. A repressão espalhou nossos rostos por cada canto da cidade.
- O seu. O meu ainda não.
- Que quer dizer com isto?
- Gostaria de ganhar presentes? Podemos realizar nossa ceia, aqui neste aparelho, eu e você.
- É arriscado. Podemos fazer barulho e algum vizinho, desconfiar e chamar a policia. Todos pensam que não mora ninguém nesta casa.
- Tomaremos cuidado. Luzia, o que gostaria que um namorado lhe desse de presente neste natal?
- Não sei. Talvez um disco?
- Um LP?
- Sim. De uma jovem cantora Bahiana. O nome dela é Gal costa.
- Não conheço.
- Ela canta uma canção, linda, muita linda, de nome Baby. È, é isto que gostaria de ganhar. Mas esquece Edu. È arriscado, sair da casa e dar uma festa. Esquece. Quando a Revolução acabar, prometo que faremos nossa ceia. Eu e você.
Eram três da tarde, do dia 24 de dezembro de 1969. Arara Vermelha ou Eduardo Militante da Ala Vermelha, espera sua companheira de clandestinidade dormir e sai.
Os dois tinham participado do seqüestro do embaixador alemão. Procurados pelo regime, tiveram que se esconder em um subúrbio no Rio de Janeiro, em um aparelho alugado pela organização.
Mas Eduardo estava predestinado a realizar o sonho da companheira. Foi até as lojas do centro, comprou champanhe, panetone e até um frango assado, para substituir o peru, caríssimo.
Mas o principal, era o presente da bela Luzia. Edu estava se apaixonando, não sabia ainda, mas estava, descobre isto mais tarde na cadeia. Comprou o Disco de Gal Costa. Pediu para embrulhar em papel especial para presente e adicionou um cartão com um versinho: “ Beleza és tu que me faz perder a noção de tempo e espaço, quando estou junto a ti”.
Isto ele ia se declarar. Fez as compras e saiu apressado para o aparelho. Dobrou a esquina e percebeu a movimentação a frente do imóvel que estava escondido. Era os carros da Policia Política. “Meu Deus. Descobriram o esconderijo” “Luzia, o que fizeram com ela?”.
Viu a repressão retirar da casa um corpo. Deu meia volta. Pegou um lotação na esquina debaixo do aparelho. Dias depois, viu estampado nos jornais, a foto de Lua Branca. Morta. Versão da Ditadura. Terrorista, tentou resistir a prisão e atirou em um policial. Os Caras em legitima defesa, mataram a bela morena.
O disco de Gal, Eduardo deixou no meio fio na esquina do subúrbio.




::: posted by joao geraldo at 6:31 AM


 
HISTÓRIAS DA DITADURA
JANJÃO

O REVOLUCIONÁRIO DA BOLA

No esporte Brasileiro e mundial, sempre tive uma predileção, por atletas considerados pela opinião pública como rebeldes, por terem condutas de sempre estar falando e fazendo o que querem e o que pensam.
Este rótulo pejorativo e com a nítida intenção de discriminar, os que não aceitam estar submetidos as regras de cartolas, foi e é utilizado com freqüência e já foi responsável pela destruição de varias carreiras.
Atletas como Paulo César Caju, Mario Sergio, Sócrates, Vladimir e outros, sempre me entusiasmaram por terem posições políticas e independentes, fugindo do padrão de jogador de futebol que nunca se posiciona sobre nada que se refere a sua profissão, nem tão pouco o que ocorre no País.
È por isto que quero com este texto homenagear um jogador que tive a honra de ver jogar. Estou falando de Afonso Celso, o Afonsinho, ex jogador do Botafogo carioca, do Santos e de tantos outros clubes.
Infelizmente o meio campista nunca foi convocado para a seleção Brasileira, o que se justifica pelo fato de suas posturas serem de confronto ao regime militar e a estrutura do futebol nas décadas de 70 e 80 do século passado.
Afonsinho dentro de campo era um gênio, no toque de bola e no dible, fora dela o gênio foi cassado, por suas escolhas não serem do agrado dos generais e dos cartolas de então.
Barrado no Botafogo em 1971, até de treinar, por se recusar a obedecer as ordens dos dirigentes do clube que o obrigavam a cortar a barba, impondo através desta medida, a cultura autoritária e repressora dos ditadores. O craque Afonsinho, não permitiu esta arbitrariedade e ao lado de seu pai, que na época se formou em direito, travou uma batalha judicial, para a garantia de passe livre, reivindicação que levou quase Três décadas para ser, implantada no Brasil (O passe livre, ainda que meia boca, com varias incorreções, foi aprovado em 1999, com a Lei Pelé).
Alem disto, foi o primeiro atleta profissional a ter o direito a Sindicalização em uma entidade de classe e também um dos primeiros Presidentes do Sindicato dos Atletas de futebol do Rio de Janeiro.
A vitória de Afonsinho na Justiça Desportiva nos Anos 70, foi a vitória pelo direito ao trabalho e por liberdade de expressão e de organização.
Esta opção, fez com que a ditadura o perseguisse, sendo fichado no SNI (Serviço Nacional de Informações), como subversivo e comunista. No entanto nada o impediu de continuar lutando por justiça e democracia.
E mais que isto, em um período de terror e do cala boca, questionar o sistema futebolístico de então, era bater de frente com os militares, que em 1969, exigiram a demissão de João Saldanha do comando técnico da Seleção, pelo fato de João ser militante do PCB (Partido Comunista Brasileiro), e utilizaram o esporte como um meio de propaganda do regime.
Pois bem, Afonsinho inaugurou no Brasil como muita coragem e determinação a reação popular ao terror, seguido e admirado, por toda a esquerda Brasileira.

MEIO DE CAMPO
(Gilberto Gil)- 1973

Prezado amigo Afonsinho,
Eu continuo aqui mesmo
Aperfeiçoando o imperfeito,
Dando um tempo, dando um jeito,
Desprezando a perfeição,
Que a perfeição é uma meta
Defendida pelo goleiro
Que joga na seleção.
E eu não sou Pelé nem nada,
Se muito for sou Tostão.
Fazer um gol nesta partida
Não é fácil, meu irmão.




::: posted by joao geraldo at 6:29 AM


 
DAY AFTER

A cama impaciente cospe-nos ao chão,
E recusa o retorno ou qualquer argumento.
E o chão inóspito, friamente nos empurra para o banheiro,
Que indiferente, ignora a tentativa do chuveiro,
De nos afogar...

O despertador gargalha!
Enquanto nos preparamos para fingir ser normais novamente...

Nova mente?

O corpo reclama!
A mente ainda dorme!
Roupas indispostas e calçados cansados espreguiçam...
Velhos amigos solidários, na luta contra o cotidiano.

Enquanto isto o tempo escorre pelas paredes em câmera lenta...

ITAMAR SANTOS


::: posted by joao geraldo at 6:26 AM


 
O TRIDENTE DE BELZEBUSH

“Vou recitar o decreto do Senhor:
Ele me disse: “Tu és meu filho, eu hoje te gerei”.
Pede-me, e te darei as nações como herança, os confins do mundo como propriedade.
Tu os triturarás com cetro de ferro, e os despedaçarás como vasilhas de barro”
(Sl 2, 7-9)
Sentado em sua cadeira, na sala oval da Casa Branca, Belzebush limpa o seu tridente enquanto recita em voz alta os versículos preferidos.
Levanta-se; em sua frente, um grande mapa-mundi: onde vão sendo colocadas pequenas bandeiras norte-americanas, marcando territórios na África, na Ásia, na Oceania, na Antártida, na Europa e nas Américas.
É com um sorriso que relembra do acidente na Base de Alcântara, no Brasil. Logo, logo, será uma parte a mais em suas mãos.
Olha para Cuba, se afasta, arremessa o tridente numa foto de Fidel Castro e se pergunta: - “Até quando? Até quando?”
Retira o tridente, rasga e queima numa lixeira a foto.
- “Algumas cartas do baralho não foram tombadas!”
- “A América para os norte-americanos!”
- “ Viva a norte-americanização!”
- “O mundo é minha propriedade!”
Anda pensativo de um lado para o outro: - “Bin Laden e Saddan estão soltos... O Exterminador do Futuro III quer se eleger...”
Decide enviar espiões para a Coréia do Norte; eles não podem deixar que detonem a bomba atômica.
Contempla, na tela do computador, o seu jardim amazônico, com todas as suas riquezas minerais e vegetais; não esconde a emoção de saber que toda a água doce do mundo lhe pertence!
- “Afinal, eu pago bem aos deputados, senadores e presidentes para aprovarem medidas provisórias e leis que me beneficiem... Eles são eleitos para isso!”
O tridente está na sua mão direita, a tocha da “liberdade” em sua mão esquerda. Com uma ceifa, com a outra queima.
Todas as nações devem adorá-lo perante ao seu brilho. Elas são sua herança!
O tridente de Belzebush está apontado para o Continente Americano; não há escapatória!
- “Em 4 de julho de 2005, todos(as) irão cantar o hino nacional norte-americano, o hino do mundo-grande!”
As gargalhadas tomam conta do salão oval...
Enquanto limpa o seu tridente, Belzebush bebe coca-cola e come McDonald’s... No resto do mundo, as pessoas se afogam em sangue!
É uma morte lenta e duradoura!
O tridente de Belzebush está apontado para você que é a favor da ALCA!
Ave Belzebush!?

Emerson Sbardelotti Tavares
Grupo de Assessores da PJ – Arquidiocese de Vitória/ES
Grupo de Assessores do CEBI/ES
Rede CELEBRA – Cariacica/Viana/ES
es.tavares@uol.com.br


::: posted by joao geraldo at 6:20 AM


 
CURRICULUM VITAE


Eu já dei risada até a barriga doer, já nadei até perder o fôlego, já chorei até dormir e acordei com o rosto desfigurado.
Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar de chorar, já me queimei brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto,já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista. Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora. Já passei trote por telefone, já tomei banho de chuva e acabei me viciando.
Já roubei beijo, Já fiz confissões antes de dormir num quarto escuro pro melhor amigo. Já confundi sentimentos, Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro, já me cortei fazendo a barba apressado, já chorei ouvindo música no ônibus. Já t entei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer.
Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas, já subi em árvore pra roubar fruta, já caí da escada de bunda. Conheci a morte de perto, e agora anseio por viver cada dia.
Já fiz juras eternas, já escrevi no muro da escola, já chorei sentado no chão do banheiro, já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante.
Já saí pra caminhar sem rumo, sem nada na cabeça, ouvindo estrelas. Já corri pra não deixar alguém chorando, já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só.
Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado, já me joguei na piscina sem vontade de voltar, já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios, já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.
Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso, já quase morri de amor,mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar. Já apostei em correr descalço na rua, já gritei de felicidade, já roubei rosas num enorme jardim.
Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um "para sempre" pela metade.
Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol, já chorei por ver amigos
partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão. Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção,guardados num baú, chamado coração.
E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita: "-


Qual sua experiência?"


Essa pergunta ecoa no meu cérebro: " Experiência...experiência..."
Será que ser "plantador de sorrisos" é uma boa experiência? Não!!! Talvez eles não
saibam ainda colher sonhos!


::: posted by joao geraldo at 6:19 AM


 
MULHERES


Luis Fernando Veríssimo


Certo dia parei para observar as mulheres e só pude concluir uma coisa:elas
não são humanas. São espiãs. Espiãs de Deus, disfarçadas entre nós.
Pare para refletir sobre o sexto-sentido. Alguém duvida de que ela exista?
E como explicar que ela saiba exatamente qual mulher, entre as presentes,em
uma reunião, seja aquela que dá em cima de você? E quando ela antecipam que
alguém tem algo contra você, que alguém está ficando doente ou que você quer
terminar o relacionamento?
E quando ela diz que vai fazer frio e manda você levar um casaco?
Rio de Janeiro, 40 graus, você vai pegar um avião pra São Paulo.
Só meia-hora de vôo. Ela fala pra você levar um casaco, porque "vai fazer
frio". Você não leva.
O que acontece? O avião fica preso no tráfego, em terra, por quase duas
horas, depois que você já entrou, antes de decolar.
O ar condicionado chega a pingar gelo de tanto frio que faz lá dentro!"Leve
um sapato extra na mala, querido.
Vai que você pisa numa poça..."Se você não levar o "sapato extra", meu
amigo, leve dinheiro extra para comprar outro.
Pois o seu estará, sem dúvida, molhado...O sexto-sentido não faz sentido! É
a comunicação direta com Deus! Assim émuito fácil... As mulheres são mães! E
preparam, literalmente, gente dentrode si.
Será que Deus confiaria tamanha responsabilidade a um reles mortal?
E não satisfeitas em gerar a vida, elas insistem em ensinar a vivê-la, de
forma íntegra, oferecendo amor incondicional e disponibilidade integral.
Fala-se em "praga de mãe", "amor de mãe", "coração de mãe"... Tudo isso meio
mágico... Talvez Ele tenha instalado o dispositivo "coração de mãe"nos
"anjos da guarda" de Seus filhos (que, aliás, foram criados à Suaimagem e
semelhança.).
As mulheres choram. Ou vazam? Ou extravasam? Homens também choram, mas é um
choro diferente.
As lágrimas das mulheres têm um não sei quê que não quer chorar, um não sei
quê de fragilidade, um não sei quê de amor, um não sei quê de tempero
divino, que tem um efeito devastador sobre os homens.... É choro feminino. É
choro de mulher...
Já viram como as mulheres conversam com os olhos? Elas conseguem pedir uma a
outra para mudar de assunto com apenas um olhar. Elas fazem um comentário
sarcástico com outro olhar. E apontam uma terceira pessoa com outroolhar.
Quantos tipos de olhar existem? Elas conhecem todos... Parece que freqüentam
escolas diferentes das que freqüentam os homens! E é com um desses milhões
de olhares que elas enfeitiçam os homens.
En-fei-ti-çam!
E tem mais! No tocante às profissões, por que se concentram nas áreas de
Humanas?
Para estudar os homens, é claro! Embora algumas disfarcem e estudem
Exatas...
Nem mesmo Freud se arriscou a adentrar nessa seara.
Ele,que estudou, como poucos, o comportamento humano, disse que a mulher
era"um continente obscuro". Quer evidência maior do que essa? Qualquer um
que ama se aproxima de Deus. E com as mulheres também é assim. O amor as
leva para perto dele, já que Ele é o próprio amor. Por isso dizem "estar nas
nuvens", quando apaixonadas.É sabido que as mulheres confundem sexo e amor.
E isso seria uma falha,se não obrigasse os homens a uma atitude mais
sensível e respeitosa com a
própria vida.
Pena que eles nunca verão as mulheres-anjos que têm a lado.
Com todo esse amor de mãe, esposa e amiga, elas ainda são mulheres maior
parte do tempo.
Mas elas são anjos depois do sexo-amor.
É nessa hora qu elas se sentem o próprio amor encarnado e voltam a ser
anjos.
E levitam.Algumas até voam. Mas os homens não sabem disso. E nem poderiam.
Porque são tomados por um encantamento que os faz dormir nessa hora.


::: posted by joao geraldo at 6:12 AM


 
MESMO ASSIM

Curvei me para abraçar o teu corpo
E inventei de desejar o proibido
No desespero das mãos trêmulas vi o futuro
Mas não era eu que ao seu lado servia

Inventei de dizer que você era minha cara metade
E meu coração aceitou isso...
De repente percebi que eu também era inventado
Me toquei, que éramos inventados.

Não me perturbou isso tudo...
Me fez bem, mesmo assim...
A nossa história é uma novela
Que o autor liberou o fim.

Pensei em não desejar os teus lábios...
Mas fui mais fraco e os aceitei.
Em seus beijos me perco, tombo!
E o que será de mim, sem eles?

Em teu olhar me afundo...
Mesmo sabendo que você me afogaria.
Insisto em olhar no fundo deles
E trocar promessas envaidecidas...

Não quero mais parar...
Agora que já desejei tudo isso...
Já não conseguiremos parar...
E o futuro, não será nosso compromisso!

Erra quem diz que não vivo o presente!
Até o abri, e veio você....
Revelando segredos, o que nos prende!
Continuo apenas... e fujo da realidade...

Ronald Gonçales
14.11.2003




::: posted by joao geraldo at 6:10 AM



Sunday, December 21, 2003 :::
 
A AMBULÂNCIA

Na pediatria três crianças iam fazer exames de raio “X�. Estavam apenas aguardando a ambulância vir buscá-las. Naquele dia o veículo transportador de pacientes estava bastante solicitado, e por isso, os meninos haviam de esperar um pouquinho...

Finalmente, lá na frente e se aproximando eles ouviam o barulho da sirene: Uau...,uau..., uau... Eram eles, [os motoristas-palhaços] vindo com a ambulância para transportar os pacientes à sala de raio “X�. Um veículo de duas rodas, um pouco parecido com uma cadeira de rodas, mas era uma ambulância, pois tinha uma sirene, algumas bexigas e dois pilotos, meio atrapalhados é verdade, mas que cumpriam as tarefas direitinho.

Era a vez do Rafael. Ele veio, sentou-se no colo de um dos motoristas de nariz vermelho e seguiram viagem. O outro motorista ligou a sirene e começaram o passeio pelo hospital. Iam pelos quartos, salas de espera, elevador, rampas, recepção. O “Fael� passeou por diversos lugares que não conhecia naquele hospital, apesar de estar ali há algum tempo. Conheceu diversos lugares, mas sob uma outra ótica, viu um ambiente mais alegre, mais colorido, divertido. Ele percebeu as novas cores nos olhares alegres das outras pessoas ao vê-lo passeando com a ambulância dos palhaços pelos corredores.

Enfim ele chegou ao Raio “X�. Desceu da ambulância e seguiu para o exame, antes porém combinou com os motoristas o retorno para buscá-lo. Combinado Fael, disseram eles, sorriram todos e seguiram para outras tarefas!

Ronei Costa Martins






::: posted by joao geraldo at 4:30 AM


 
ESSA HISTORINHA É MUITO BOA...

Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo
um pacote.
Pensou logo no tipo de comida que poderia haver ali.
Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado. Correu ao pátio da
Fazenda advertindo a todos: "- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira
na casa!" A galinha, disse: "- Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso
seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me
incomoda."
O rato foi até o porco e lhe disse: "- Há uma ratoeira na
casa, uma ratoeira!" "- Desculpe-me Sr. Rato, disse o porco, mas não há
nada que eu possa fazer, a não ser rezar. Fique tranqüilo que o senhor
será lembrado nas minhas preces." O rato dirigiu-se então à vaca. Ela lhe
disse: "- O que Sr. Rato? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!"
Então o rato voltou para a casa, cabisbaixo e abatido, para encarar a
ratoeira do fazendeiro. Naquela noite ouviu-se um barulho, como o de uma
ratoeira pegando sua vítima. A mulher do fazendeiro correu para ver o
que havia pego.
No escuro, ela não viu que a ratoeira havia pego a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher... O fazendeiro a levou imediatamente ao
hospital. Ela voltou com febre. Todo mundo sabe que para alimentar alguém
com febre, nada melhor que uma canja de galinha. O fazendeiro pegou seu
cutelo e foi providenciar o ingrediente principal. Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. Para alimentá-los o fazendeiro matou o porco. A mulher não melhorou e acabou morrendo. Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo.
Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e
acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que, quando há uma
ratoeira na casa, toda a fazenda corre risco. O problema de um é problema de
todos.




::: posted by joao geraldo at 4:27 AM



Saturday, November 15, 2003 :::
 
"Carta a Luiz Biajoni" - Janjão.

Camarada Ex-Bigode: Esta carta escrevo inspirado por dois ícones da luta pela Terra na América Latina: Antônio Conselheiro e Emiliano Zapata. Escrevo esta porque gosto de desafios, grandes e difíceis de vencer. Como este, o de convence-lo da importância e necessidade do MST (Movimento Sem Terra), na luta pela Reforma Agrária no Brasil, faço isto não para te-lo como adversário no debate, mas para obter seu apoio e te-lo como aliado. A estrutura fundiária em nosso País é uma das mais injustas do mundo, injustas e concentradas. 1% dos fazendeiros possuiu cerca de 46% de todas as áreas rurais, mas só emprega 4,2% da mão de obra rural. Por outro lado as propriedades entre 100 hectares e 1000 hectares absorvem cerca de 40% da mão de obra rural e outras 40% estão trabalhando em áreas com menos de 10 hectares. Estes dados provam não só a concentração, mas quem trabalha no campo e quem emprega. A importância de desconcentrar a terra, terminando com o latifúndio é urgente. Desde as Capitanias Hereditárias que convivemos com a injustiça no campo. Após a Abolição da escravatura, ao invés dos governantes promoverem a maior Reforma Agrária daquele período, jogaram milhares de Negros na marginalidade das grandes cidades e continuaram o processo de concentração. Nos anos 60 com as ligas camponesas de Francisco Julião, aparece com força os movimentos de luta pela distribuição de terras e a palavra de ordem Reforma Agrária surge. Com o êxodo rural na década de 70, ao invés dos governos pensarem na Reforma, a concentração foi maior e com ela a violência descontrolada e impune. Vários mártires da luta pela terra, os movimentos criaram ao longo deste período: Nativo da Natividade, Margarida Alves, Padre Josimo e tantos outros. As elites deste País nunca quiseram realizar a Reforma, não é correto para o Capital distribuir e sim cada vez mais espoliar para lucrar. O MST surge em 1984 como um instrumento a serviço da organização dos trabalhadores, para a luta pela Reforma Agrária. A existência do MST, é fruto da desigualdade no campo e a concentração. Quando da realização do 1º Encontro Nacional dos Trabalhadores Sem Terra, em Cascavel (PR), os camponeses e pessoas da cidade, ali reunidos refletiram que as mortes no campo, a miséria e a fome nas cidades, tinham como uma de suas conseqüências o latifúndio. A segunda reflexão era a de que os governantes não tinham interesse em realizar a Reforma Agrária, pois defendiam os interesses das elites rurais. O País contava os dias para o fim do regime militar e iniciava a respirar liberdade e conviver com a democracia. Do ponto de vista dos movimentos populares, os pobres e trabalhadores tinham criado o PT e a CUT, importantes nas lutas travadas com o Capital. O MST nasce neste clima, onde se constituía em um único caminho capaz de lutar pela terra para quem nela trabalha. Em um País onde o Latifúndio se mantém e se multiplica com o uso da violência, onde as leis protegem o privado e não consideram as necessidades da população pobre, onde 53milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza, o MST é atual e necessário. Bia, você deve estar dizendo, tudo isto é correto e verdadeiro, mas não precisa ocupar prédios públicos e "propriedade privada". Respondo: Quando uma minoria se beneficia do poder e faz leis para se proteger e utiliza-las para prejudicar a maioria, ou luta-se ou se curva perante as elites. Como lhe disse a existência do MST e suas formas de luta tem sentido em uma estrutura de concentração e exploração. Para mim o caráter do Movimento Sem Terra só deixará ser o que é com Reforma Agrária, Paz no campo e investimentos na agricultura. Se você conhecer os assentamentos dos Sem Terra, vai se deparar com projetos culturais, educativos, ecológicos e sociais fantásticos. Mas enquanto perdurar a desigualdade, a luta tem e deve continuar, mesmo que os métodos sejam o da ocupação pacifica e sem violência.


::: posted by joao geraldo at 2:07 PM


 
ONTEM DORMI COM NERUDA

Ontem dormi com Neruda.
Me aconcheguei nos braços
de sua poesia vulcânica,
como que busca abrigo e conforto
do furioso inverno austral
de sua amada pátria, o Chile.
Deixei-me entorpecer pelo vinho nobre
de seus versos guerreiros
bebendo cada palavra de carvão e cobre,
de salitre e poeira,
de suor e esperança
que suas mãos universais
gravaram em cada aurora do mundo.
Marcos J. Hansen



::: posted by joao geraldo at 2:02 PM


 
O MUNDO PELO AVESSO
EMIR SADER
Esquerda e direita
Esquerda e direita existem, mais do que nunca, em um mundo polarizado entre a riqueza e a miséria, consumistas e humanistas, belicistas e pacifistas. Escolha o seu lado e lute por ele, sem esconder seus valores.
“Como direita continuo a considerar aquelas forças que se põem a serviço dos interesses das pessoas satisfeitas. Os outros, os que se sentem e agem do ponto de vista dos pobres, dos danados da terra, são e serão sempre a esquerda.” “No nosso tempo, todos os que defendem os povos oprimidos, os movimentos de libertação, as populações esfomeadas do terceiro mundo, são a esquerda. Aqueles que falando do alto do seu interesse, dizem que não vêem porque distribuir um dinheiro que suaram para ganhar, são e serão a direita.” “Quem acredita que as desigualdade são um fatalismo, que é preciso aceitá-las, desde que o mundo é mundo sempre foi assim, não há nada a fazer – sempre esteve e está à direita. Assim como a esquerda nunca deixará de ser identificada nos que dizem que os homens são iguais, que é preciso levantar o que está no chão, lá embaixo. Acredito que esta distinção existe, continua fundamental, ainda hoje serve para distinguir as duas grandes partes da política.” Tais palavras, do filósofo italiano Norberto Bobbio, em entrevista a Araújo Neto publicada no Jornal do Brasil, servem como uma definição sintética, mas suficiente para caracterizar a direita e a esquerda, e para estabelecer sua atualidade. Seja a identificação com os de baixo – a grande maioria – ou com os de cima. Com os países da periferia ou os do centro do capitalismo. Com os insatisfeitos ou com os conformistas. A fatalidade da desigualdade ou a rebeldia contra ela. A naturalização da pobreza ou a luta incessante pela justiça. Privilégio do financeiro ou do social. Universalização dos direitos ou apenas concessão de oportunidades. Interesses públicos ou do mercado. Solidariedade ou competição no mercado. Humanismo ou um mundo em que tudo se compra, tudo se vende. Multilateralismo ou unilateralismo. Soluções de força ou negociações políticas. Davos ou Porto Alegre. Como ficou ruim ser de direita – estar do lado de Bush, por exemplo –, os que são de direita, sem deixar de sê-lo, ou dizem que já não há direita e esquerda, ou que agora são de centro. Quem é de esquerda se assume como de esquerda, se filia a uma longa tradição de lutas pela igualdade, pela justiça, pelo reconhecimento da diferença, pelo combate permanente por uma sociedade mais justa e mais humana, e se orgulha dela. Hoje no Brasil, por exemplo, ser de esquerda é dar um combate frontal e sem trégua pelo menos às duas piores heranças do governo (de direita) do presidente Fernando Henrique: a hegemonia do capital especulativo e a precarização do mundo do trabalho. É de esquerda quem se opõe ao capital especulativo, quem luta pelos direitos do mundo do trabalho, pela distribuição de renda, pela universalização dos direitos. De direita é quem defende os interesses do capital financeiro, quem privilegia os critérios de mercado em detrimento dos direitos da grande massa da população, que vive do seu trabalho. Esquerda e direita existem, mais do que nunca, num mundo polarizado entre riqueza e miséria, entre belicistas e pacifistas, entre consumistas e humanistas. Escolha o seu lado e lute por ele, sem esconder seus valores.
Emir Sader , professor da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), é coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da Uerj e autor, entre outros, de “A vingança da História" (Boitempo Editorial) e "Século XX – Uma biografia não autorizada” (Editora Fundação Perseu Abramo).



::: posted by joao geraldo at 1:58 PM


 
NA ÂNSIA DE TE VER E TE PERDER...

O relógio hoje demora para passar...
E nesse instante finjo que o papel é meu amigo
Pois à ele desabafo todo o meu desespero
Nessa ânsia incontrolável em querer teu perfume em minhas vestes.
Querer tuas mãos em meu corpo.
E teus lábios nos meus....
Dias macabros são os dias que não te vejo
Fantasmas de inseguranças e desejos atormentam a minha memória
Monstros de saudade fantasiam a minha mente
E no engolir saliva, a lágrima se controla para não rolar
Simplesmente, porque já me anunciaste o nosso fim....
Já anunciaste, também, que não faço parte do seu planejamento.
Sou apenas, o seu momento. Ah, que lamento!
O suor já sufoca a minha pele... No espelho vejo tua imagem e sinto tuas
promessas voarem até meu ouvido...
Meus pelos se arrepiam de uma forma brusca e fantástica.
Abro os olhos e levanto a cabeça...
A caneta caiu...
Maldito relógio! Hora que não passa!

Ronald Gonçales – novembro de 2003



::: posted by joao geraldo at 1:55 PM


 
HISTÓRIAS DA DITADURA
JANJÃO

O PORRA LOCA QUE NÃO CONHECIA CHE GUEVARA

Emílio estava naquele ano de 1982, cursando Medicina , na PUC Campinas. Veterano militava na Libelu, organização Trotskista , que mais tarde se dissolve e vai formar a Tendência Petista “O Trabalho”.
Apesar da atividade política e da disciplina do grupo de Emílio, nosso rapaz conhecia pouco da História recente do País, bem como da América Latina. Participava das reuniões de estudo, da organização mais preocupado com as pernas de Alessandra a musa da turma daquele ano do que com os ensinamentos dos professores.
Emílio era aquilo que muito se denominava na época de “porra loca” ou tarefeiro, sujeito que era bom para executar missões, para puxar passeatas, pichações e outras ações consideradas revolucionárias no período. Mas se era competente para estas tarefas, carecia de instrumental teórico, para elaboração das estratégias do movimento estudantil. Era sempre o coadjuvante, nosso rapaz.
Quase nunca era lembrado para assumir cargos de importância, seja na corrente, seja no DCE (Diretório Central Acadêmico). Das direções fazia parte, mais para completar chapas ou porque amigo era dos chefões, ou designado para tarefas que a mufa (cérebro) não precisava funcionar.
Mas apesar da dificuldade de teorizar, Emílio fazia um baita sucesso com as garotas. E foi uma delas que apresentou um personagem que vai mudar a vida do estudante.
Salete era de uma outra organização Estudantil, igualmente Trotskista, a Convergência Socialista, hoje PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados). Muito bonita, Lete como era chamada pelos amigos, convidou Emílio para uma palestra que seria proferida na sede de sua organização.
O dia- 09 de outubro. O assunto da exposição: O revolucionário Ernesto Che Guevara. Por incrível que pareça, o nosso futuro médico , não sabia nada, do Argentino amigo de Fidel Castro.
O palestrante, um militante de meia idade, viveu a clandestinidade em Cuba Socialista. Lá aprendeu tudo sobre o Homem que fascina milhões de jovens há mais de 4 décadas.
O professor inicia a atividade, lembrando o que aquela data representava, para os Revolucionários do mundo todo. Foi em um 09 de outubro, no ano de 1967, que Che Guevara, foi assassinado pela ditadura Boliviana. Uma das muitas que se instalaram nas Américas nas décadas de 60 e 70.
Emílio se impressionava com o relato da trajetória do Che, entre nós. Principalmente a dedicação de Guevara a luta do povo, seu amor e fé na transformação da sociedade, no fim do Capitalismo e na construção de uma sociedade sem classes sociais.
Mas o que ficou na memória foi a Estória contada pelo Palestrante: “Diz a lenda, ninguém até hoje pode provar se é verdade ou mentira: Caminhava Che pela Sierra Maestra, palco da luta contra o regime ditatorial de Batista em Cuba. Carregava consigo, 2 mochilas: A primeira com medicamentos para primeiros socorros. Che era médico, embora exerceu muito pouco a profissão. A segunda, carregada de armas e munição. Em uma certa altura, se deparou com uma cerca de arame farpado e com as tropas do inimigo em seu calcanhar. Um dos companheiros fez a previsão de que para passar a cerca e ser rápidos na fuga, precisavam se livrar dos pesos que carregavam. Guevara não pestanejou e decidiu que o que ficava naquele momento é o que mais precisaria para seus propósitos: Os armamentos”.
Deste dia em diante, Emílio não só virou fã do Che, como se dedicou mais aos Estudos Teóricos da Política.


::: posted by joao geraldo at 1:52 PM


 
PRIMAVERA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS
PRIMAVERA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS


Começou a primavera, estação das flores e dos amores;
tempo de novos sons, novos cantos e novas cores.
O céu, o ar, os campos e as ruas parecem ganhar outra vida,
a natureza renasce e deixa na alma uma saudade indecifrável
de um paraíso que já se foi ou que ainda está por vir.

Seria exagero afirmar que a primavera
é, por excelência, a estação dos movimentos sociais?
Não são eles que, no velho terreno da história,
lançam sementes que renovam rumos e horizontes,
cultivando iniciativas inovadoras e criativas
e fazendo por todos os lados germinar botões
que, cedo ou tarde, hão de desabrochar em flor?

A superfície do planeta exibe hoje um triste cenário de escombros,
as coisas e os seres vivos sofrem os efeitos de uma civilização predatória:
tudo se vende, tudo se compra, tudo se troca, tudo se mercantiliza!
As ruínas vão se acumulando e expondo a nudez de um mundo sem alma.
No olhar vago e perdido das pessoas, na agonia das águas contaminadas,
na fauna e na flora devastadas, na extinção irreversível das espécies,
flagram-se instantâneos de um retrato sinistro que afeta todas as formas de vida.

Apesar dos alertas, os ventos de uma destruição progressiva
continuam rugindo furiosamente contra nossas portas e janelas,
anunciando pela mídia catástrofes cada vez mais trágicas.
Fome e miséria convivem com a idolatria do corpo e do mercado de consumo,
o despovoamento e o deserto junto com as multidões apinhadas nas metrópoles,
as “casas fortaleza” com o desemprego e a droga, a violência e o crime.
Respira-se um oxigênio poluído e revestido de medo e insegurança:
os cidadãos tornaram-se reféns de seus jovens e adolescentes,
ao mesmo tempo réus e vítimas da crescente exclusão social.
Enquanto isso, de seu trono indiferente e inacessível, mas de barro,
o império e o tirano vomitam leis, espalham soldados e semeiam o terror.

Em meio a este inverno frio e rigoroso da devastação,
despontam por toda parte as flores e os sinais da primavera:
milhares de organizações e movimentos ocupam ruas e campos,
tomam páginas de jornais e espaço nos meios de comunicação social.
Um rumor de passos e de vozes, de cantos e de tambores
ressoa no coração de homens e mulheres e no ventre da terra.
O chão foi fecundado pela força das mobilizações populares,
uma nova criança está a caminho, a marcha avança,
a história e cada ser vivo gemem e sofrem as dores do parto.

A primavera dos movimentos sociais proclama em volta alta
que, se a gente quiser e se organizar, “um outro mundo é possível”.

Alfredo J. Gonçalves
Brasília/DF, 24 de setembro de 2003



::: posted by joao geraldo at 1:49 PM


 
ESSA HISTORINHA É MUITO BOA

Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua
esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que poderia haver
ali.
Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado. Correu ao pátio da
Fazenda advertindo a todos: "- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira
na casa!"
A galinha, disse: "- Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso
seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me
incomoda."
O rato foi até o porco e lhe disse: "- Há uma ratoeira na
casa, uma ratoeira!"
"- Desculpe-me Sr. Rato, disse o porco, mas não há nada que eu
possa fazer, a não ser rezar. Fique tranqüilo que o senhor
será lembrado nas minhas preces.
" O rato dirigiu-se então à vaca. Ela lhe disse:
"- O que Sr. Rato? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!"
Então o rato voltou para a casa, cabisbaixo e abatido, para encarar a
ratoeira do fazendeiro. Naquela noite ouviu-se um barulho, como o de uma
ratoeira pegando sua vítima. A mulher do fazendeiro correu para ver o
que havia pego.
No escuro, ela não viu que a ratoeira havia pego a cauda de
uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher... O fazendeiro a levou
imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre. Todo mundo sabe que para
alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha. O fazendeiro
pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal.
Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. Para
alimentá-los o fazendeiro matou o porco. A mulher não melhorou e acabou
morrendo.
Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a
vaca, para alimentar todo aquele povo.
Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de
um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que,
quando há uma ratoeira na casa, toda a fazenda corre risco.
O problema de um é problema de todos.



::: posted by joao geraldo at 1:45 PM


 
CONVITE DA LOUCURA

A Loucura resolveu convidar os amigos para tomar um café em sua casa.

Todos os convidados foram. Após o café, a Loucura propôs:

Vamos brincar de esconde-esconde?

Esconde-esconde? O que é isso? - perguntou a Curiosidade.

Esconde-esconde é uma brincadeira. Eu conto até cem e vocês se escondem. Ao terminar de contar, eu vou procurar, e o primeiro a ser encontrado será o próximo a contar.

Todos aceitaram, menos o Medo e a Preguiça.

1,2,3,... - a Loucura começou a contar.

A Pressa escondeu-se primeiro, num lugar qualquer.

A Timidez, tímida como sempre, escondeu-se na copa de uma árvore.

A Alegria correu para o meio do jardim.

Já a Tristeza começou a chorar, pois não encontrava um local apropriado para se esconder.

A Inveja acompanhou o Triunfo e se escondeu perto dele debaixo de uma pedra.

A Loucura continuava a contar e os seus amigos iam se escondendo.

O Desespero ficou desesperado ao ver que a Loucura já estava no noventa e nove.

CEM! - gritou a Loucura. - Vou começar a procurar...

A primeira a aparecer foi a Curiosidade, já que não agüentava mais querendo saber quem seria o próximo a contar. Ao olhar para o lado, a Loucura viu a Dúvida em cima de uma cerca sem saber em qual dos lados ficar para melhor se esconder.

E assim foram aparecendo a Alegria, a Tristeza, a Timidez...

Quando estavam todos reunidos, a Curiosidade perguntou: - Onde está o Amor?

Ninguém o tinha visto. A Loucura começou a procurá-lo.

Procurou em cima da montanha, nos rios, debaixo das

pedras e nada do Amor aparecer. Procurando por todos os lados, a Loucura viu uma roseira, pegou um pauzinho

e começou a procurar entre os galhos, quando de repente ouviu um grito. Era o Amor, gritando por ter furado o olho com um espinho.

A Loucura não sabia o que fazer. Pediu desculpas, implorou pelo perdão do Amor e até prometeu segui-lo para sempre.

O Amor aceitou as desculpas.

Hoje, o Amor é cego e a Loucura o acompanha sempre.


::: posted by joao geraldo at 1:33 PM



Saturday, October 11, 2003 :::
 
GAIOLA
(Poema a um amigo demitido)

Vinte anos!
Gaiola aberta...

Os olhos esperançosos da chegada,
Agora vazios, partem.
Asas feridas,
Lágrimas secas...

Vinte anos!
Planos, ações, realizações,
Construção, crises, cicatrizes,
Quedas, superações...
Vestígios que instantaneamente dissipam-se,
No reflexo opaco do olhar que se distancia...

Da vida, queria pouco.
Pelos outros, fazia muito.
E mais deixou do que levou...

Vinte anos!
Muitos passam,
Alguns sobrevoam,
E a gaiola fica!

Adentro, pássaros emudecidos,
Olhos cansados,
(Que o sistema há de comer!).
Tristes testemunhas,
Do silêncio ensurdecedor,
Que o momento eterniza...

Vinte anos!
Uma vida!
“Várias mortes”...

E a gaiola fica!
Abstração involuntária,
Absorção de si mesmo...
(ITA- 26/09/03)




::: posted by joao geraldo at 4:01 AM


 
HISTÓRIAS DA DITADURA
Janjão

ANA E AS BARATAS

(Para ler este texto, sugiro ler ouvindo A Day In The Life, dos BEATLES)

“Oh Senhor Cidadão, Oh Senhor Cidadão, com quantos kilos de medo se faz uma tradição. Oh Senhor Cidadão, eu quero saber, eu quero saber, se a tesoura do cabelo, também corta a crueldade”. Senhor Cidadão - TOM ZÈ (1972).

As baratas domésticas são de duas espécies, a Blatta Germânica e a Blatta Orientallis, sendo de famílias diferentes. As baratas estão entre os mais antigos habitantes da terra, existem a 350 milhões de anos, muito antes do aparecimento dos dinossauros.
A família das baratas tem 4 mil espécies, sendo que apenas 20 vivem entre os humanos. A maioria preferem lugares tropicais e são noturnas, as poucas que se vê durante o dia pode significar uma infestação.
Estas e outras informações Ana obteve ao ler os livros de biologia, trazidos pelo padre capelão do presídio em que ela estava presa naquele ano de 1973. O interesse pela disciplina e pelos insetos, teve inicio de forma trágica.
Estudante de ciências sociais da USP, Ana militou no movimento estudantil e foi presa ao tentar realizar um assalto a uma agência bancaria, ação típica das organizações armadas para ter dinheiro para a causa.
Foi levada para o DOPS (Departamento de ordem política e social), e lá conheceu seu algoz, um militar de nome ou codinome miro. Com um corpo escultural, Ana já de cara foi vitima da truculência e selvageria de Miro. Em uma sala escura, foi despida e violentada pelo torturador, ao longo de 2 semanas.
Ana sabia que seria estuprada, quando o carcereiro de nome Mosca, se dirigia a sua cela pontualmente ás 2 da manhã e lhe pedia para limpar a vagina e o anus. O ritual macabro realizado todos os dias, consistia também em o gorila introduzir nos órgãos genitais de Ana, objetos e insetos.
As baratas foram os insetos de maior freqüência no corpo de Ana. No inicio ela tinha nojo de bicho tão remelento e sujo. Sempre teve asco e não medo pelos habitantes de varias pernas e asas.
Mas com o tempo, adquiriu curiosidade e até afeição por elas. Primeiro porque as bichinhas faziam já parte de seu cotidiano e segundo, por achar que as mesmas eram vitimas da estupidez de Miro, que ao invés de deixa-las em paz, para buscar alimentos as usava para suas intenções sádicas.
Como o personagem de Kafka em Metamorfose, Ana chegou a estabelecer comunicação com as baratas que freqüentavam sua cela, conversando com elas sobre assuntos dos mais variados e as vezes comia durante todo o dia açúcar, alimento preferido das Blattas.
Os companheiros de prisão andaram achando que a linda morena, estava pirando, em constante delírios e que precisava de atendimento médico e psicológico.
Na verdade a sobrevivência no cativeiro, foi uma das motivações de Ana, para não morrer ou perder a lucidez. As baratas eram sinceras e fieis a ela. Pois todas as noites compareciam no mesmo lugar, para as conversas animadas com a militante.
De seu torturador Ana adquiriu desprezo e ódio. Das baratas curiosidade e cuidados.





::: posted by joao geraldo at 3:59 AM


 
Texto de Fernando Pessoa



Navegue, descubra tesouros,
mas não tire-os do fundo do mar,
o lugar deles e lá.

Admire a lua, sonhe com ela,
mas não queira traze-la para a terra.

Curta o sol, se deixe acariciar
por ele, mas lembre-se que
o seu calor e para todos.

Sonhe com as estrelas,
apenas sonhe,
elas só podem brilhar no céu.

Não tente deter o vento,
ele precisa correr por toda parte,
ele tem pressa de chegar
sabe-se lá onde.

Não apare a chuva,
ela quer cair e molhar muitos rostos, não pode molhar só o seu.

As lagrimas?
Não as sequem, elas precisam correr na minha, na sua, em todas as
faces.

O sorriso!
Esse você deve segurar,
não deixe-o ir embora, agarre-o!

Quem você ama?
Guarde dentro de um porta jóias, tranque, perca a chave!

Quem você ama e a maior jóia
que você possui, a mais valiosa.
Não importa se
a estação do ano muda,
se o século vira e
se o milênio e outro,
se a idade aumenta;

Conserve a vontade de viver,
não se chega a parte alguma sem ela.

Abra todas as janelas que encontrar
e as portas também.

Persiga um sonho,
mas não deixe ele viver sozinho.

Alimente sua alma com amor,
cure suas feridas com carinho.

Descubra-se todos os dias,
deixe-se levar pelas vontades,
mas não enlouqueça por elas.

Procure, sempre procure
o fim de uma historia,
seja ela qual for.

De um sorriso para quem
esqueceu como se faz isso.

Acelere seus pensamentos,
mas não permita
que eles te consumam.

Olhe para o lado,
alguém precisa de você.

Abasteça seu coração de fé,
não a perca nunca.

Mergulhe de cabeça
nos seus desejos e satisfaça-os.

Agonize de dor por um amigo,
só saia dessa agonia se conseguir tira-lo também.

Procure os seus caminhos,
mas não magoe ninguém nessa procura.

Arrependa-se, volte atrás,
peca perdão!

Não se acostume com
o que não o faz feliz,
revolte-se quando julgar necessário.

Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele
se afogue nelas.

Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado,
comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se acha-lo, segure-o!


(Fernando Pessoa)



::: posted by joao geraldo at 3:56 AM


 
Saudade

"...Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora, mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás, é
o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
"aquela que nunca amou."
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades, passar
pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido..."

Pablo Neruda


::: posted by joao geraldo at 3:44 AM


 
A CIDADE DO BAIXO ASTRAL
Janjão

No ínicio dos anos 90, o cineasta Walter Salles Júnior, premiadíssimo por Central do Brasil, lançava um filme que retratava o espírito Brasileiro, naqueles anos de era Collor.
A película se chamava Terra Estrangeira e tinha como pano de fundo o desanimo das pessoas com os rumos que nossa pátria estava trilhando, na batuta do príncipe das Alagoas.
Este desanimo e descrédito com o País, levou centenas de cidadãos a abandonar nossa terra e tentar viver em outro País. O filme relata exatamente este sentimento de chegar ao limite, de não ter mais paciência com aqueles que governam.
Extremamente fiel a este sintoma, daqueles tempos, Walter Salles, colocava a nu a era de um Presidente mauricinho e sua mulher que mais parecia a Barbie. Um Brasil que viu as poupanças da Classe média serem confiscadas e os salários dos trabalhadores arrochados. Um Brasil que se afundava no literal “broxei”, não tenho mais esperança neste País. Reinava naqueles tempos, o baixo astral e a miserabilidade.
Enquanto isto ocorria, nosso Presidente, andava de Jet Ski, organizava festas babilônicas em Brasília e disparava grosserias aos opositores e aos pobres. Mantinha nosso Fernandinho, um forte esquema de corrupção e distribuição de privilégios para obter o que pretendia.
Este quadro de clima de idade média, onde nada de novo acontece, só desilusão e pobreza, tenho sentido e enxergado em nossa cidade.
Tenho visto as pessoas sem animo e sem forças para dizer não aos absurdos e contravenções ocorridas em Limeira. Vejo as pessoas perdendo o credito nas instituições, não acreditando que elas possam ser o meio para a busca de soluções aos problemas da população.
Vejo o medo estampado no rosto das pessoas. Medo de perder emprego, medo de não ter escola para os filhos, vaga nas creches, médicos para cuidar da saúde e remédios para ajudar nos tratamentos. Medo da violência urbana, fruto da incompetência dos governantes em ter soluções de inclusão social.
Os poderes constituídos não tem cumprido o papel que lhes é conferido. O poder executivo, não consegue responder as demandas sociais que a cidade reclama. Ao contrario se distancia do povo e contribui para sucatear os serviços públicos.
O atual prefeito em alguns momentos, lembra a grosseria do Fernandinho e a arrogância de FHC, principalmente no trato com a oposição e os movimentos populares.
O legislativo não consegue cumprir seu papel de fiscalizador e de organismo que denuncia as mazelas do executivo. Primeiro porque a maioria dos parlamentares tem uma relação com o executivo de subserviência e cumplicidade e segundo a oposição não consegue ter uma unificação mais orgânica e programática.
O Judiciário como em todo o País, mantem uma relação de Deuses junto a sociedade. Não há por parte de nossos magistrados, sinais de abandono de uma postura de senhores da verdade e guardiões da ordem.
Nossa imprensa, com raras exceções, reina a cultura da “Ajuda de custo”, ou Jabá. Não há independência no editorial. O que se noticia é na grande maioria das vezes de interesse dos que estão no poder. O Jornalismo praticado não tem nada de investigativo e muito menos autônomo. Em alguns veículos de comunicação, a informação chega a ser leviana e preconceituosa.
As entidades da sociedade civil, não conseguem ter unidade para enfrentar os problemas do município. Primeiro porque uma parte delas participa do conluio do poder. Outra parte se fecha no corporativismo de seu segmento, fazendo de conta que nada ocorre em volta. As que procuram ter uma consciência coletiva e de movimento, ainda são poucas e sem consistência Ideológica.
A situação de Limeira é broxante e preocupante. Não somos uma ilha, como as elites insistem em afirmar. Nem somos patrimônio deste ou daquele povo, como esta mesma elite insiste em propagendear.
Somos uma cidade que tem os mesmos problemas do restante do País. No entanto as elites que governam, ainda acham que estamos no século 19 ou no feudalismo, tamanho o conservadorismo que é predominante em nossa cidade.
Nosso município tem quase 300mil habitantes, é formado por migrantes vindos de vários Estados da Federação, gente que escolheu Limeira com a cidade para se viver e contribuir com seu progresso.
Porem ainda impera a concepção do feudo e do particular. Não vem empresas, porque “Limeirenses” empresários não permitem. Não há universidades ou cursos públicos, pois o 3º setor não permite.
O baixo astral vai continuar a imperar, caso a imensa maioria dos cidadãos de bem, não se rebelem ou continuem como avestruzes a ver as elites fazerem e desfazerem de nossa cidade e de nosso povo.
Sou otimista e tenho esperança.



::: posted by joao geraldo at 3:43 AM


 
HISTÓRIAS DA DITADURA
Janjão

O CARTAZ

A mãe chamava os meninos, para irem rápido, pois estavam atrasados. Tinham ainda que passar no Bar do Pai, abri-lo e depois irem para escola.
Joãozinho o mais velho dos irmãos, tinha naquele ano de 1970, 8 anos. Cursava a 1º série, do antigo primário. Os demais irmãos, ainda não tinham idade escolar.
Saíram as pressas, com a mãe a frente e os outros atrás brincando na rua, com pedras, paus e objetos jogados no asfalto. Joãozinho adorava futebol, discutia com um dos irmãos, sua paixão pelo Palmeiras, time de coração da família toda.
O bar comprado na primavera passada, já não era tão florido como outrora, forçando seu João o chefe da família a retornar a uma fábrica metalúrgica, ocupando um posto na ferramentaria. O dia terminava no chão da empresa e seu João, substituía a esposa, que o dia todo ficava no estabelecimento comercial.
Dois empregos para sustentar 3 filhos e um que já estava encaminhado. Dona Rita no ano do Tri Campeonato no México, estava grávida do 4 filho.
Entraram a rua Paraíba, onde se localizava o Bar da família de Joãozinho. Mal esperavam que ao chegar no recinto, teriam uma surpresa, que presa ficaria na memória do filho mais velho.
Ninguém nesta família, entendia o que realmente acontecia no País de Pelé, Gérson, Tostão e Rivelino. Mal sabiam que enquanto toda a nação, cantava “Pra frente Brasil, salve a seleção”, nos porões de instituições como DOPS (Departamento de ordem, política e social), OBAM (Operação Bandeirantes) e outros departamentos militares, Homens e Mulheres, eram brutalmente torturados e assassinados.
O mais velho, corre a frente de todos e se defronta, com um enorme cartaz, colado nas portas de madeira do falido bar. Era uma cartaz repleto de fotografias, estilo 3x4.
Joãozinho fixava seu olhar, para uma mulher, jovem, talvez com 20 anos e até menos. O nome nunca soube, mas guardou a fisionomia .
Seu rosto marcado, como se tapas e socos levasse por horas e dias. Seu olhar era triste, de completo abandono, não via Joãozinho na moça, sinais de medo, mas de desilusão.
Nosso amiguinho, claro só foi ter esta compreensão na fase mais adulta de sua vida.
O restante da família chega e também presencia o cartaz, que alem das fotos, continha um titulo forte e aterrorizador: “Atenção: Estas pessoas são terroristas. Cuidado, podem fazer mal a sua família. Denuncia-os”.
O cartaz foi colocado no bar, por um PM (Policial Militar), vizinho ao estabelecimento.
Na memória de Joãozinho, ficou para sempre a face machucada, da jovem e sua desilusão, como se tudo estivesse terminado.




::: posted by joao geraldo at 3:41 AM


 
HISTÓRIAS DA DITADURA
Janjão

O CARTAZ

A mãe chamava os meninos, para irem rápido, pois estavam atrasados. Tinham ainda que passar no Bar do Pai, abri-lo e depois irem para escola.
Joãozinho o mais velho dos irmãos, tinha naquele ano de 1970, 8 anos. Cursava a 1º série, do antigo primário. Os demais irmãos, ainda não tinham idade escolar.
Saíram as pressas, com a mãe a frente e os outros atrás brincando na rua, com pedras, paus e objetos jogados no asfalto. Joãozinho adorava futebol, discutia com um dos irmãos, sua paixão pelo Palmeiras, time de coração da família toda.
O bar comprado na primavera passada, já não era tão florido como outrora, forçando seu João o chefe da família a retornar a uma fábrica metalúrgica, ocupando um posto na ferramentaria. O dia terminava no chão da empresa e seu João, substituía a esposa, que o dia todo ficava no estabelecimento comercial.
Dois empregos para sustentar 3 filhos e um que já estava encaminhado. Dona Rita no ano do Tri Campeonato no México, estava grávida do 4 filho.
Entraram a rua Paraíba, onde se localizava o Bar da família de Joãozinho. Mal esperavam que ao chegar no recinto, teriam uma surpresa, que presa ficaria na memória do filho mais velho.
Ninguém nesta família, entendia o que realmente acontecia no País de Pelé, Gérson, Tostão e Rivelino. Mal sabiam que enquanto toda a nação, cantava “Pra frente Brasil, salve a seleção”, nos porões de instituições como DOPS (Departamento de ordem, política e social), OBAM (Operação Bandeirantes) e outros departamentos militares, Homens e Mulheres, eram brutalmente torturados e assassinados.
O mais velho, corre a frente de todos e se defronta, com um enorme cartaz, colado nas portas de madeira do falido bar. Era uma cartaz repleto de fotografias, estilo 3x4.
Joãozinho fixava seu olhar, para uma mulher, jovem, talvez com 20 anos e até menos. O nome nunca soube, mas guardou a fisionomia .
Seu rosto marcado, como se tapas e socos levasse por horas e dias. Seu olhar era triste, de completo abandono, não via Joãozinho na moça, sinais de medo, mas de desilusão.
Nosso amiguinho, claro só foi ter esta compreensão na fase mais adulta de sua vida.
O restante da família chega e também presencia o cartaz, que alem das fotos, continha um titulo forte e aterrorizador: “Atenção: Estas pessoas são terroristas. Cuidado, podem fazer mal a sua família. Denuncia-os”.
O cartaz foi colocado no bar, por um PM (Policial Militar), vizinho ao estabelecimento.
Na memória de Joãozinho, ficou para sempre a face machucada, da jovem e sua desilusão, como se tudo estivesse terminado.




::: posted by joao geraldo at 3:40 AM


 
O GRITO

Pra onde vamos?
Onde estamos?
Somos filhas e filhos de Deus?
E o Brasil?
Respostas difíceis...
Respostas quase impossíveis...
Retornaremos ao pó...
Do pobre quase ninguém tem dó.
O grito invade a alma,
invade o coração,
invade a rua, o povoado,
é sangue que jorra sem direção.
O grito ecoa fundo
na mente de quem sempre penou...
Que acreditou que as coisas mudariam
mesmo sabendo que era ilusão.
Não há presente se há alienação.
Não há futuro se há alienação.
Não há vida
enquanto só se erguerem as mãos.
Se elas não fazem carinho,
ou cavucam o chão...
Se não sinalizam a luta...
apenas perdição.
O grito não é mais do Ipiranga:
quem grita está morrendo aos poucos.
O grito não é mais do Ipiranga:
quem grita, grita por querer o novo.
E o novo sempre vem...
E o novo sempre vem...
Agora e sempre.
Amém!


::: posted by joao geraldo at 3:37 AM


 
Carta para o Céu- II
Janjão

Bença Mãe,

A senhora esta bem?. O Vo Miro, a Vó Nina e a Miquelina tens visto eles aí no paraíso?. Saudades de vocês todos, mãe. Dia 07 de setembro, vai fazer 1 ano da tua viagem.
No decorrer deste um ano, aconteceu muita coisa, Dona Rita.
Para começar, parei de fumar e descobri que tenho diabetes. Mas já esta controlada. Em casa, apesar da saudade, esta tudo bem e em Paz.
No futebol, o nosso Palmeiras foi rebaixado, para Segundona. O que teve de corintiano, santista, são paulino, até torcedor do Galo rindo da gente, não tava no gibi. Porem aos poucos voltaremos, de onde nunca devíamos sair, este ano ainda.
O canalha do Busch, como a senhora, se dirigia ao cara, após o 11 de setembro de 2001, resolveu escolher inimigos e organizar guerras para o aumento de seu território e poderio. Depois do Afeganistão, os gringos decidiram sem razão, invadir e bombardear o Iraque, matando milhares de pessoas.
Derrubaram sim um regime totalitário, embora a relação Americana com o resto do mundo, nunca foi democrática e muito menos solidária.
A senhora deve estar se perguntando: E a posse do LULA? Como foi? Seu inicio de Governo? Como está?.
A posse foi talvez uma das maiores festas cívicas, que este País já viu.
O Pai assistiu o Operário assumir um posto mais alto do Brasil, lá em casa. Rolou lagrimas. Emoção e Alegria.
A posse passou e de volta a realidade, nos deparamos com um quadro difícil. A herança que o PT e LULA ganharam é uma Herança de um País, destruído pelo Neoliberalismo. Sobra desemprego, fome e miséria. Alem disto, parece que nossos Homens e Mulheres no poder, estão com medo de pisar no acelerador, embora não duvido do compromisso destes companheiros com os pobres e excluídos.
Estou vendo que os movimentos sociais estão retornando as ruas. Entendo que este é o único caminho, para ajudarmos este governo a realizar as mudanças necessárias que este País precisa.
Mãe a senhora, viu o Roberto Marinho, por aí? ou tá em outro lugar?.
Bem nós sabemos, o desserviço que este senhor prestou ao povo Brasileiro. A senhora em sua simplicidade e sabedoria, nos dizia sempre do que ele e seu poderio econômico eram capazes de fazer. Para mim, não deixou saudades.
Este ano, no dia de sua partida, estaremos novamente na avenida, com o grito dos excluídos. Ano passado, a senhora não esperou, terminar o desfile e logo mandou nos avisar que seu transporte estava partindo.
Faremos no dia 07 o mesmo que sempre fizemos. Clamar por independência.
Para nós ela nunca existiu em sua plenitude. Independência para os pobres é comida na mesa e pleno emprego. Isto ainda tá difícil.
Mas vamos lá reivindicar mudanças e dizer ao Presidente LULA, que estamos com ele, não precisa temer e nem dar ouvidos para as elites.
Mãe, você não faz idéia onde estou publicando esta missiva. Até porque, o que diz respeito a uma pessoa tão importante como você, tem que ser de conhecimento dos amigos. Novos e Antigos.
Esta carta, esta no site de novos amigos. Gente porreta como você. Amantes da vida e por ela tudo fazem. Só em um espaço onde transborde Liberdade é que poderia publicar este texto. Pois Liberdade é o que você mais prezava.
Mãe, Te Amo



::: posted by joao geraldo at 3:31 AM


 
HISTÓRIAS DA DITADURA
Janjão

O RADICAL

O grupo esperava recebe-lo a muito mais tempo. A maioria não o conhecia pessoalmente, nem parte faziam de sua geração.
No entanto o conheciam através da literatura e do ouvi falar da esquerda Brasileira, sua História, em especial sua participação na guerrilha do Araguaia, entre 1971 a 1973.
A atividade era uma iniciativa do departamento de formação política do Sindicato dos Metalúrgicos, que realizava um ciclo de debates. Ele veio para fechar o ciclo.
O ano era 1989, alguns meses antes da 1ª eleição direta para Presidente da República, após o Regime Militar. Porem a maioria dos presentes não estava interessada com o processo eleitoral que se avizinhava e sim pelo personagem que era admirado por todos naquela sala.
Chegou britanicamente na hora combinada com os organizadores do evento. A todos e todas cumprimentou com um sorriso aberto, contrariando muitos que pensavam se tratar de um Homem amargo, triste e envolto as lembranças das torturas e dos 5 anos de prisão.
O tema de sua palestra era a conjuntura daquele momento. Mas como frisado acima, a platéia queria ouvir, sobre o período em que bravamente lutou contra as armas, os tanques e as bombas dos militares.
Nosso companheiro não se recusou a relatar aquela experiência. Para ele a guerrilha do Araguaia, foi um momento em que Brasileiros por amor a Pátria, dedicaram suas vidas em nome da LIBERDADE. Se a tática da luta armada, era ou não correta é uma outra discussão. Mas não se pode negar a contribuição das centenas de Homens e Mulheres que enfrentaram o terror e o horror, para que pudéssemos desfrutar da democracia.
Exercia naquele momento um mandato na câmara federal, já destacando-se como um dos melhores parlamentares daquela casa de leis. Integrava um dos grupos de esquerda que romperam no final da década de 70, com o PcdoB.
Mas naquele ano de 89, já se falava que nosso amigo, estaria construindo outra tendência de posições mais próximas do que denominamos de Ligth.
Porem no debate a imagem para todos era do guerrilheiro do Araguaia. Do Homem que desafiou durante quase 3 anos, todo o aparato repressivo da ditadura. A sala respirava admiração pelo orador, que transbordava otimismo e simpatia.
No entanto, no meio do debate, aparece como sempre, um que destoa a orquestra. Com uma pitada de preconceito, com os que optaram em pegar em armas para o enfrentamento com a ditadura, o sujeito denominado Anselmo (nome fictício), solta a pergunta: Você não acha que fazer o que fizeram, foi uma tremenda bobagem e puro radicalismo?.
Nosso camarada com muita paciência e firmeza com as palavras, respondeu: " Se ser radical é lutar por liberdade, contra a tirania e o autoritarismo, então sou radical. Se foi bobagem optar pela clandestinidade e a ação armada, por não ter espaço para a luta democrática. Então cometemos bobagem. Se radicalismo for denunciar a exploração do Homem sobre o Homem. Sou radical".

(Texto sobre e dedicado a José Genoino Neto- Presidente Nacional do PT)


::: posted by joao geraldo at 3:29 AM



Friday, August 29, 2003 :::
 
Histórias da Ditadura


As botas do General
Janjão

Um ex. padre o qual convivi nos tempos em que atuava na igreja católica, no inicio dos anos 80, me dizia que embora a Ditadura estava no seu final, ela permaneceria por muito tempo em nossas cabeças.
O raciocínio partia do principio de que , vivendo em ares de liberdade(pelo menos em se tratando dos militares), nossos atos e comportamentos teriam características dos anos de chumbo, pois nós jovenzinhos na década passada, fomos criados e educados sob a batuta dos generais.
Na verdade meu amigo, não só tinha razão, como acertou em cheio sua previsão, de que levaríamos décadas para nos livrarmos da herança autoritária, violenta e anti democrática dos homens da farda verde. Ainda hoje respiramos na política, no futebol, na fabrica, na escola, na família, no nosso cotidiano, o mofo dos quartéis.
Nossa herança deixada pela ditadura, se faz sentir nos quatro cantos deste País, embora as lutas da sociedade civil tiveram conquistas que contribuíram com o rompimento, em partes do espólio iniciado no golpe de 64. Porem as conquistas ainda são insuficientes.
Mas o que quero expressar nesta crônica é que minha geração nascida no golpe, cresceu e se educou sob o lema "Ordem e Progresso". Este leminha tão combatido e protestado pela geração dos 60, era palavra chave do poder militar. Isto foi trabalhado de todas as formas, de todos os jeitos, principalmente no ensino de 1º grau.
Os verdinhos tratavam os secundaristas e universitários com mãos de ferro, punindo, prendendo, afastando os estudantes e professores que rebelavam-se contra o leminha.
Mas se no ensino secundarista e superior o Estado tinha dificuldades para implementar sua ideologia, com os pequeninos e pré adolescentes a tarefa consistia em uma verdadeira barbada ou utilizando gíria da época "batata".
Imagine uma escola de primeiro grau. Naquele tempo, o ensino de 1ª a 4ª series eram separados dos de 5ª a 8ª. Mas puxemos nossa gloriosa memória.
O fardamento (uniforme), dos meninos eram camisas brancas, calções um pouco acima do joelho e azuis. As meias brancas e botinas(desculpem nossa falha), sapatos vulcabrás pretos e diariamente engraxados. As nossas adoráveis meninas, usavam com as mesmas cores, blusas e saias, e os sapatinhos igualmente pretos.
Nossos soldadinhos ou melhor nossas crianças(eu uma delas), se dirigiam rumo ao quartel(Oh me desculpem novamente), a escola. Ao chegar no colégio, imediatamente os inspetores de alunos(categoria hoje em extinção), com delicados e sonoros berros e tapinhas em nossas frágeis cabecinhas, emitiam ordens para que formássemos filas no pátio. As tais filas eram no posicionamento de sentido e ai a todos os pulmões cantávamos sem entender bolufas, os hinos da Bandeira, da escola, e o belo(agora compreendo) Hino Nacional. Na nossa frente, prostrados e em vigia, ficavam nossos professores e do chefe do estado maior, ela a temível diretora. Após a sessão dos Hinos, caminhávamos, em filas indiana, todos caladinhos, sem um pio se quer, rumo as salas de aulas.
Mas a regides do regime estava em seu inicio. Já nas salas, em pé na posição de sentido, olhávamos fixamente para o retrato do General Presidente (na época, Médici), quase que em uma reverencia a sua majestade pregada na parede. Assim nos comportávamos, até a chegada da professora ( ou seria o sargento?), a nos dar ordens para sentar em nossas cadeirinhas.
Não tínhamos em nossas inocentes e puras cabecinhas, a dimensão do que aquelas regras significavam e aonde nossos amados " Governantes", queriam com tudo aquilo. Nem ao mesmo nossos pais, tinham consciência dos interesses do Estado, com isso seguiam apoiando sem Chiar as " ordens" dos Chefões, e ai daquele adulto que ousa-se questionar o ensino, taxado era de desrespeitar a "ordem e o progresso".
Em todos os cantos, da escola para as ruas, dos locais de trabalho e aos campos de futebol, o cheiro das botas dos militares impregnava as consciências de nosso povo.
Até hoje muita gente diz que sente saudades dos senhores de verde. Pois com eles prendendo e arrebentando não havia baderna, a casa ficava em ordem. Hoje tenho a consciência de que minha geração careceu de ares de Liberdade.
Porem nossa batalha continua a ser travada, com nossas mentes, pois lá no fundo, bem no fundo esta armazenada "As Botas de um General".


::: posted by joao geraldo at 2:55 AM


 
UM ABRAÇO

O porta-retratos pendurado na parede do hospital revela o sublime ato. Ali, agraciando a superfície branca, a cena colorida de encanto e de magia torna os caminhantes apressados, diante dela, imóveis. Comigo não foi diferente.

Estava no hospital imbuído da tarefa de visitar uma pessoa querida internada num dos quartos ao fim do corredor meio triste. Conheço pessoas que tem aversão a hospital, ficam doentes só de pensar nele. Dizem que é triste, que é gelado. Nunca fiquei doente só de pensar em hospitais, mas que são gelados e inóspitos, isso sempre achei. O fato é que eu estava ali, meio contra minha vontade, mas a visita era necessária. Existem tarefas que precisam ser feitas sem muitas opções, sabendo disso caminhava naquele corredor.

Meio apressado, pois queria sair dali o quanto antes, passei por uma gravura colorida, colocada na parede, entre duas portas. Instantaneamente não dei atenção e continuei meu trajeto. Mas aquela gravura, de certa forma aguçou minha curiosidade. Voltei para vê-la.

Era uma bela fotografia que aos poucos ia me envolvendo. Timidamente sorri ao ver a cena, era um abraço de uma criança e um palhaço que dizia mais, ia além do abraço. O palhaço estava agachado, a criança, de roupa hospitalar, com a cabeça no aconchego de seus ombros esticava os bracinhos nas costas coloridas do palhaço que mantinha os olhos fechados. O pequenino estava na ponta dos pés e seu rostinho apresentava um leve sorriso. Fiquei parado diante da foto imaginando o instante em que a cena fora eternizada: Os dois corações batendo em sincronia, a sutil respiração do menino sentida pelo palhaço. Parecia que eles já se conheciam há muito tempo e aquilo era um reencontro. Senti que aquele abraço era o mais perto que o palhaço poderia chegar do céu. Era mágico!

Respirei fundo como que por gratidão, dei uma última espiada na foto e, tendo os passos mais leves, segui meu ofício. Cheguei ao quarto, à paciente ofereci, como mimo, uma bela história vivida no corredor de um hospital.



Ronei Costa Martins
ronei@seng.com.br


::: posted by joao geraldo at 2:54 AM


 
COMPLICABILIZANDO
Ricardo Freire

Não, por favor, nem tente me disponibilizar alguma coisa, que eu não quero. Não aceito nada que pessoas, empresas ou organizações me disponibilizem. É uma questão de princípios. Se você me oferecer, me der, me vender, me emprestar, talvez em venha a topar. Até mesmo se você tornar disponível, quem sabe, eu aceite. Mas, se você insistir em disponibilizar, nada feito.
Caso você esteja contando comigo para operacionalizar algo, vou dizendo desde já: pode tirar seu cavalinho da chuva. Eu não operacionalizo nada para ninguém. Tampouco compactuo com quem operacionalize. Se você quiser, eu monto, eu realizo, eu aplico, eu ponho em operação. Se você pedir com jeitinho, eu até implemento. Mas operacionalizar, jamais.
O quê? Você quer que eu agilize isso para você? Lamento, mas eu não sei agilizar nada. Nunca agilizei. Está lá no meu currículo: faço tudo, menos agilizar. Precisando, eu apresso, eu priorizo, eu ponho na frente, eu dou um gás. Mas agilizar – desculpe, não posso, acho que matei essa aula.
Outro dia mesmo queriam reinicializar meu computador. Só por cima do meu cadáver virtual! Prefiro comprar um computador novo a reinicializar o antigo. Até porque eu desconfio que o problema não seja assim tão grave. Em vez de reinicializar, talvez seja o caso de simplesmente reiniciar, e pronto.
Por falar nisso, é bom que você saiba que eu parei de utilizar. Assim, sem mais nem menos. Eu sei, é uma atitude um tanto quanto radical da minha parte, mas eu não utilizo mais nada. Tenho consciência de que a cada dia que passa mais e mais pessoas estão utilizando, mas eu parei. Não utilizo mais nada. Agora eu só uso. E recomendo. Se você soubesse como é muito mais elegante, também deixaria de utilizar e passaria a usar.
Sim, estou me associando à campanha nacional contra os verbos que acabam em “ilizar”. Se nada for feito, daqui a pouco eles serão mais numerosos do que os terminados simplesmente em “ar”. Todos os dias os maus tradutores de livros de marketing e administração disponibilizam mais e mais termos infelizes, que imediatamente são operacionalizados pela mídia, reinicializando palavras que já existiam e eram perfeitamente claras e eufônicas.
A doença está tão disseminada que muitos verbos honestos, com currículos de ótimos serviços prestados, estão a ponto de cair em desgraça entre pessoas de ouvidos sensíveis. Depois que você fica alérgico a disponibilizar, como você vai admitir, digamos, “viabilizar”? É triste demorar tanto tempo para a gente se dar conta de que “desincompatibilizar” sempre foi um palavrão.
Precisamos reparabilizar nessas palavras que o pessoal inventabiliza só para complicabilizar. Caso contrário, daqui a pouco nossos filhos vão pensabilizar que o certo é ficar se expressabilizando dessa maneira. Já posso até ouvir as reclamações: “Você não vai me impedibilizar de falabilizar do jeito que eu bem quilibiliser”. Problema seu. Me inclua fora dessa.
(Artigo originalmente publicabilizado na Revista Época no 275)



::: posted by joao geraldo at 2:51 AM


 
MOVIMENTO DOS SEM-EMPREGO

Maitê Proença Atriz Pode parecer que estou me metendo onde não fui chamada. Mas sou cidadã brasileira, observadora, crítica e preocupada com os caminhos do meu país. Tenho conversado com gente do campo e, como outros, também estou assustada com a mansidão do governo diante da garra apaixonada com que se move o MST. Opino aqui porque me diz respeito. Não gosto de ver o meu país afundando num caos de equívocos. O setor agrícola é, dentre poucos, o que mais funciona no Brasil. Segura a onda de nossa economia deficitária, como maior produtor e exportador de açúcar do mundo. Da mesma forma com o suco de laranja e o café. Somos o terceiro maior produtor de carne, e este ano, em função da seca na Austrália, seremos possivelmente o maior exportador. Estamos entre os maiores produtores e exportadores de frango e soja. No caso da soja, os Estados Unidos e a China são maiores, mas só produzem, não exportam como nós, trazendo divisas pra compensar as instabilidades do setor industrial, por exemplo. Décadas atrás, quando as pessoas começaram a fugir do campo pra trabalhar na cidade, a realidade era outra. Não havia do que sobreviver no campo e, nos centros urbanos, a indústria em princípio de expansão precisava de braços trabalhadores. Hoje, quando uma Volkswagen demite milhares de funcionários, essa gente não é a mesma que veio da zona rural há 30 anos. É uma geração adaptada aos centros urbanos, que nunca viu uma enxada e tem horror à idéia de pegar em uma, dia após dia, embaixo do sol quente. Nem seria produtiva, se o fizesse. Junta-se ao MST, muitas vezes, não por ideologia, e muito menos por saudade de suas raízes, mas porque, não tendo mais a perder nesse mundo cão, sobra-lhe a chance de, quem sabe, ganhar uma terrinha pra vender depois e fazer um troco. São os MSE, de sem- emprego, porque a cidade vai mal! Se nos anos de Juscelino a indústria automobilística tivesse sido implantada no Nordeste, onde a natureza não favorece a atividade agrícola, teríamos evitado o êxodo para o Sul, dado emprego a milhões com industrias satélites que nasceriam a reboque e, com os impostos arrecadados ali mesmo, ainda se poderia ter remediado a questão da seca. São Paulo não estaria soltando gente pelo ladrão, e o emprego estaria bem dividido pelas cidades de todo o país - essas cidades com deliciosos atrativos modernos de que todos queremos tanto usufruir. Mas aí... Inês é morta. Então consideremos, para não descartar a possibilidade, os que de fato desejam voltar ao campo, já que as cidades precisam desinchar, e que a alta dos juros, a indústria capenga e o modelo econômico inteiro precisam ser remodelados. Vamos lá. O governo dá um pedaço de terra à família do Antônio. O Antônio, que é supersafo e tem filhos prestativos dispostos a acompanhá-lo, começa a produzir amendoim e abóboras em sua terra boa pro plantio. Com o resultado da colheita perfeita, no caso das condições meteorológicas daquele ano também estarem a favor de Antônio, ele carrega seus produtos à cooperativa agrícola da cidade próxima ao seu sítio. Carrega embaixo do braço, porque nem o governo nem o MST deu a ele um trator, muito menos um caminhão. Não há dinheiro pra fornecer a cada pequeno produtor, além da terra, o equipamento moderno de que precisa. É o que Antônio ouve, sempre que reclama da falta de infra. Mas tudo bem, isso não o impediu de produzir. Então Antônio tenta vender seus produtos um pouco acima do que lhe custou a empreitada. Perplexo, descobre que seu preço é caro e está mais alto do que o de mercado. Mesmo a preço de custo, não se tornará competitivo. Depois de sucessivos malabarismos pra sobreviver com sua família no campo, Antônio vende sua propriedade e volta pra cidade, onde também não encontra o que fazer. O que fazer? Eu acho que o Stédile é um sujeito idôneo que acredita no discurso que faz, ao contrário de outros militantes que me soam contraditórios. ''Ah, mas o Rainha não poderia estar preso por porte de arma, com tanto crime do colarinho branco impune por aí''. Poderia, sim. Não é réu primário, e deixá-lo com a arma na mão, assim como o traficante do morro ou o assaltante da cidade, não ajuda em nada o desmando com as leis, que deveriam estar aí pra serem cumpridas na proteção de minha família e da sua. O erro, claro, é não colocar na cadeia os responsáveis pelos outros crimes hediondos cometidos contra a sociedade. Mas voltando ao primeiro: o fato de Stédile acreditar na revolução social que fomenta, não significa que os meios utilizados para atingi-la sejam bons. Nem que sua proposta seja possível no contexto presente. ''Somos 1 milhão contra 100, vamos ver quem nos derruba!''. Ora... pela força companheiro, invadindo prédios públicos e atiçando os UDRs fascistóides, até que morra um de seus inocentes seguidores, Stédile, e o Movimento consiga um mártir como justificativa sangrenta para seus argumentos? Devagar com esse andor... Há leis aí para serem seguidas e um processo a ser conquistado, inclusive ajudando na manutenção dos milhões já assentados para terem condições de sobreviver onde estão. Muito há a se fazer antes de partir pra guerra, atropelando a Constituição e derrubando a locomotiva agrícola que puxa os demais setores do país. Ainda existem latifundiários coronelistas e isso deve acabar. Mas já são poucos. O produtor rural de hoje apenas gera a riqueza. Quem ganha o dinheiro grosso é o exportador dessa matéria-prima, o fabricante de suco, no caso da laranja, os frigoríficos, no caso da carne, e assim por diante. A maioria dos fazendeiros mal se sustenta - não são ricos, carregam o estigma, apenas. E em muitos casos, se não trouxerem dinheiro de outras atividades pra dentro de suas fazendas, são obrigados a arrendá-las para usinas de açúcar, transformar em hotéis ou vender para aplicar no mercado financeiro, arriscando dinheiro pra fazer dinheiro. Muitos vão à falência nesse processo. Alguns, bem-sucedidos, produzem e exportam os produtos dessa terra abençoada que a natureza nos deu. Essa terra que é de todo brasileiro, sim, mas é sobretudo, e por direito, dos que sabem cuidar dela, e que, grandes ou pequenos, precisam de meios para fazê-la frutificar em benefício de toda gente. Vou levar paulada, inclusive de meu amigo Frei Leonardo Boff, que defende o MST. Eu não sou contra as pessoas terem onde morar e do que viver. Apenas não acho que, porque alguém é desfavorecido, esteja automaticamente autorizado a fazer o que bem entende contra o estado de direito, para poder se dar bem. Eu também amo o meu país. Não sou pobre e nunca fui, mas sofro genuinamente com a pobreza do meu povo, com o descaso, e com as injustiças dessa sociedade que não presta mesmo. Só que guerra, minha gente, é pra quem tem fome de destruição, pros loucos irresponsáveis, pros Bush da vida que tentam desarticular o mundo. Nós aqui da Tropicália maravilhosa, vamos, por Nossa Senhora da Aparecida, construir e cuidar com delicadeza, com reformas e muito equilíbrio, das farturas que Deus nos deu! Publicado em: 11/08/03 - 10:32:00 Fonte: Jornal do Brasil (10/08/2003)




::: posted by joao geraldo at 2:49 AM


 
"VENDAVAL"

Absorvo sua pele,
Seu teor,
E seu suor,
E não consigo mais distinguir,
Onde termina o seu corpo,
Onde começa o meu...
Por dentro um vendaval de sensações,
A acender nossos corpos,
E transceder tudo o que nos rodeia,
E mais nada a buscar,
Senão, nós em nós mesmos...
(ITA-1995)


::: posted by joao geraldo at 2:46 AM


 
MAIS UMA DO DRUMOND

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração
parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa
mais importante da sua vida.

Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o
mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você
está esperando desde o dia em que nasceu.

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos
se encherem d'água neste momento, perceba: existe algo
mágico entre vocês.

Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a
vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração,
agradeça: Deus te mandou um presente divino - o amor.

Se um dia tiverem que pedir perdão um ao outro por algum
motivo e em troca receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os
gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos
um pro outro.

Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a
outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las
com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer
momento de sua vida.

Se você conseguir, em pensamento, sentir o cheiro da
pessoa como se ela estivesse ali do seu lado...

Se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela
estando de pijamas
velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados...

Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro
que está marcado para a noite...

Se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa
ao seu lado...
Se você tiver a certeza que vai ver a outra envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela...

Se você preferir morrer, antes de ver a outra partindo :
é o amor que chegou na sua vida. É uma dádiva.

Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas
poucas amam ou encontram um amor verdadeiro. Ou às vezes encontram e,
por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixa-
lo acontecer verdadeiramente. É o livre-arbítrio. Por isso, preste
atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego
para a melhor coisa da vida: o amor.

(Carlos Drummond de Andrade)




::: posted by joao geraldo at 2:44 AM


 
O ADVOGADO DE MARIGHELA
Janjão
O ano era 1969, os alto falantes do estádio do Morumbi, anunciavam que o famoso “Terrorista”, Carlos Marighela em um tiroteio com a polícia, tinha acabado de falecer.
O Jogo era um Corinthians e São Paulo, clássico do futebol paulista, em que desfilavam craques como Rivelino, Toninho Guerreiro, Ado, Gerson e outros.
Na geral se encontrava o estudante de direito Edgar, torcedor do Timão. Ao ouvir a noticia, Edgar fanático torcedor, enrolou a bandeira e abandonou o estádio ainda no 1° Tempo.
Saindo do Morumbi, apanhou um ônibus e rumou para a Lapa, residência de seu professor e companheiro de organização política o Dr. Cláudio, conhecido entre os militantes de esquerda por defender os presos e perseguidos políticos.
Chegando na casa do Professor/Advogado, lá estavam Estevão, Maristela, Rubens e Sueli, integrantes do comitê central da Ala Vermelha, uma das organizações de resistência armada contra a ditadura e aliados das posições de Marighela. Chocados e putos, os jovens ali reunidos não sabiam o que fazer.
Afinal das contas, caiu um dos lideres da “Revolução Socialista”, no Brasil, ficamos órfãos, disse um dos garotos. Professor Cláudio, tranqüilo e paciente como sempre, pediu a palavra e disse: “Tudo faremos para provar que Marighela, foi barbaramente assassinado e que não resistiu a prisão, mesmo porque tempo não houve para isto”.
Edgar então, indaga” Mas como professor? Neste País, os militares são a lei e fazem a lei, como vamos provar o contrario se a lei esta com eles?. Cláudio com a paciência de Jô que Deus lhe deu, proferiu: “ A Luta faz Lei, tentarei junto com a família e os instrumentos jurídicos, mesmo viciados e condicionados a vontade militar, provar a tese do assassinato. Mas a Luta faz a Lei, não se esqueçam disto”.
Todos saíram da reunião, pensando nas palavras e principalmente na frase do Advogado de Marighela.
Dias depois a casa do Dr. Cláudio, foi invadida pela polícia política da ditadura, que o levou e nunca mais o Professor apareceu. Edgar após este fato, mesmo como estudante ofereceu seus serviços voluntários e solidários a família Marighela. È advogado da mesma até hoje.




::: posted by joao geraldo at 2:35 AM


 
Motivo
Conheço teu sorriso quieto
Conheço teu olhar sincero
Te quero. Como quem quer quietamente te esperar.
Quero que surjas de repente de algum lugar;
como um poema que nasce por algum motivo.
Assim como nasce o caso de por acaso, eu te querer comigo.
Silvana Maria da Silva



::: posted by joao geraldo at 2:34 AM


 
O SUPÉRFLUO E O NECESSÁRIO


Uns queriam um emprego melhor; outros, só um emprego.

Uns queriam uma refeição mais farta; outros, só uma refeição.

Uns queriam uma vida mais amena; outros, apenas viver.

Uns queriam pais mais esclarecidos; outros, ter pais.

Uns queriam ter olhos claros; outros, enxergar.

Uns queriam ter voz bonita; outros, falar.

Uns queriam silêncio; outros, ouvir.

Uns queriam sapato novo; outros, ter pés.

Uns queriam um carro; outros, andar.

Uns queriam o supérfluo; outros, apenas o necessário.

(Chico Xavier)


::: posted by joao geraldo at 2:31 AM


 
COMENTÁRIO SOBRE CHAPLIN

"Charles Chaplin escreveu, certa vez, que a coisa mais injusta da vida é a maneira como ela termina. Disse que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás para frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. Daí viver num asilo, até ser chutado de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar jovem o bastante para aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade. Você vai para o colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta ao útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando...E termina tudo com um orgasmo! Não seria perfeito?"
Coisa de gênio mesmo né gente!!!- Silvio Carlos de Lima



::: posted by joao geraldo at 2:25 AM



Wednesday, August 13, 2003 :::
 
HISTÓRIAS DA DITADURA
Janjão

Meus Amigos Suecos

Roberto contou esta sua História no final dos anos 80, em um curso de formação que ministrava na cidade de Rio Claro.
Nos 60 Roberto estudante de Economia na USP São Paulo, não ficou de fora das agitações e mobilizações que tomavam conta do movimento estudantil Brasileiro, contra a Ditadura Militar.
Engajou-se, participou das passeatas, das marchas e foi preso no Congresso “clandestino” da UNE, em Ibiúna no ano de 1968. Tomou uns cacetes nos porões do DOPS (Departamento de ordem política e social), da Capital, mas foi logo solto e recebeu o conselho dos milicos para voltar a ter uma vida “normal”, ou se mandar do País, por bem ou por mal. Roberto escolheu o último caminho na ótica dos generais.
Militante da AP- Ação Popular, embrenhou-se na luta armada, preso pela segunda vez, conheceu o Pau de Arara e o tanque de afogamento. Libertado, saiu do Brasil em 1972, para o Chile democrático de Allende.
Por um ano viveu na paz, acreditando que o Chile poderia ser uma república Socialista, a primeira na América do Sul. Mas 11 de Setembro de 1973, chegou e meu amigo, mais uma vez foi parar na prisão, agora no estrangeiro. Apanhou, tem marcas pelo corpo até hoje.
Solto dois meses depois, conseguiu de uma organização de esquerda Européia, passagem para Estocolmo na Suécia e um conselho, sossegue o facho termine o curso de Economia, pois estas em um País que pode lhe dar todas as condições para uma boa e tranqüila vida. E assim foi, com muitas saudades do Brasil, Roberto voltou para um banco de faculdade e terminou os estudos.
Na Suécia cantada e decantada por Capitalistas e Socialistas, como um País onde os índices sociais e de padrão de vida são os melhores do mundo, tinha para Roberto um problema, que transcrevo abaixo sua fala: “ Não tive nos 7anos que vivi em Estocolmo, problema com grana ou emprego. Em pouco tempo comprei um apartamento, pequeno sim, mas confortável. Minha primeira mulher conheci na Suécia, Brasileira como eu. Mas apesar da comodidade sócio, econômica, me senti triste e as vezes deprimido naquele País gélido. No tempo que lá morei, não via a hora de poder voltar para o País, por uma única razão, AMIGOS. Aqui tinha saindo pelo ladrão, de todas as raças e cores. Amigo é a coisa mais dignificante para o ser humano, a gente segurou a barra pesada no Brasil e no Chile, muitas vezes, por ter AMIGOS. Na Suécia o contato pessoal, informal e solidário é zero. Saí de Estocolmo em 1981, lá deixei 5 amigos, destes apenas um era sueco”.


::: posted by joao geraldo at 3:52 PM






_______________
_______________

Blog que tem o objetivo de divulgar cronicas, poemas, opiniões acerca de temas políticos, culturais e outros. A idéia é veicular na rede pensamentos do Janjão e de seus Amigos. A intenção primeira é se divertir. A segunda, fazer um laboratório, para uma página mais séria no futuro, melhor elaborada. A pagina é dedica as duas mulheres do cara (Ele é Bigamo). Nadir a Negra mais linda do mundo e Ruani a mais nova adolescente. In memória a Senhora Bondade, Maria Rita.



Powered by Blogger